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Uma conversa compreensiva sobre Cansaço, Dor e Tempo

Grupo de Pesquisa “Da Compreensão como Método” convida à reflexão sobre a simbologia do Natal a partir dos conceitos de Byung-Chul Han

Por Adriana do Amaral

Às vésperas das festas de final de ano, quando achávamos que a pandemia da Covid-19 nos daria uma trégua, novas ameaças rondam no ar devido às mutações próprias do coronavírus. Preparávamo-nos para retornar ao cotidiano de antes na busca de encontrar o nosso lugar nessa sociedade distópica e na tentativa de separar o que é real do digital, essencial do supérfluo, pessoal do comum, saúde e doença, bem e mal, alegria e dor, eterno e passageiro…

Um momento oportuno para a realização do último encontro do ano do Grupo de Pesquisa “Da Compreensão como Método”, uma live ou like à vida, numa parceria com a Cátedra Unesco Metodista de Comunicação. Talvez uma mensagem natalina viva, pública, coletiva, dialógica. Uma pausa para pensarmos a vida à luz do símbolo maior do Natal: o nascimento de uma criança.

Sob a coordenação de Dimas Künsch, docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista, as mestrandas Daniela Euzébio, Natalhe Vieni e Thaís Aiello partilharão os saberes pessoais, laborais e acadêmicos que convergem das áreas da pesquisa na comunicação, psicologia, saúde, trabalho entre outras. O desafio?

Refletir a partir dos temas do cansaço, da dor e do tempo na sociedade contemporânea. Um diálogo que será desenvolvido a partir da leitura compreensiva das obras: Sociedade do cansaço, Sociedade paliativa e Favor fechar os olhos: em busca de um outro tempo. Livros de autoria de Byung-Chul Han para serem lidos, relidos, discutidos, recomendados e presenteados.

O drama da contemporaneidade

Enfatizando a importância de conhecermos o universo desvelado pelo autor, o professor Künsch lembra que é preciso dialogar sobre os dramas e sofrimentos da atualidade. Também, pensar a dor latente em “suas múltiplas facetas”.

“Falar sobre Byung-Chul Han é uma honra”, afirma Natalhe, respondendo pelos debatedores. Principalmente “nesse momento emblemático e quase ritualístico onde mais um ciclo se fecha e a vida recomeça ressignificando conceitos, crenças limitantes, comportamentos”. Segundo ela, onde a única certeza que temos é que “nada será como antes”.

Para Daniela, “pensar em sociedade do cansaço é refletir sobre o excesso de positividade, onde não há mais limites”, mas também sobre a superficialidade social. A chamada sociedade rasa, onde não se permite mais o aprofundamento, gerando a autoconsumação.

“Byung-Chul Han tem sido um tradutor loquaz do mal-estar contemporâneo e do caldo de desconforto no qual nos vemos submersos”, resume Thais. Ela destaca que os ensaios do autor “descortinam a lógica do pensamento neoliberal” e como o “modus operandi desse regime destrói subjetividades e sequestra a alma das pessoas”.

Explicando, Daniela lembra que essa “sociedade do desempenho”, onde tudo pode e é urgente, está nos levando à autoconsumação. Também, que “quando o ócio não é mais permitido” a humanidade não se volta ao velho, evitando as novas descobertas, e adoece refém de medicações para poder viver.

Inquietações podem nos levar a novos caminhos. Ou não…

Remetendo a outro autor, Zigmunt Bauman, Künsch chama a atenção para a “corrosão do tempo”, quando “corremos o tempo todo, e cada vez mais velozmente, sem saber para onde”. Natalhe recorre a Carl Jung na tentativa de compreender o que, segundo ela, está na profundeza da alma: quem eu sou e quem eu posso ser

Absorta no que chama de “cartografia aterradora dos males, das dores e consequências do sistema atual”, Thais aponta que na leitura do pensador sul-coreano há alternativas de enfrentamento para além “do próprio olhar narcísico”.  “Massificados” como somos, tornamo-nos intolerantes com a  “alteridade”, completa Daniela sinalizando que a sociedade se “afeta” mutuamente, mas não contempla o todo individual.

E, voltando ao Natal, não seria mesmo a época ideal para mergulharmos profundamente na leitura de Byung Chul Han? Provocando, Künsch justifica: “Independentemente de credos ou ausência deles, é urgente nos deslocarmos desse drama coletivo”. O símbolo do Natal pode ser um caminho, acredita.

Numa analogia ao profeta Isaías (Antigo Testamento), na passagem “um filho nos foi dado”, sugere que o Natal de 2021 “é um chamado para a luta e para a mudança do mundo e do Brasil”. Afinal, não é à toa que uma criança nasce todos os anos…

Você não vai perder esse encontro, não é mesmo? Depois dele, nada será como antes. Ou será?

Roda de Conversa

Cansaço, Dor e Tempo: uma conversa compreensiva

Dia: 14 de dezembro de 2021 (terça-feira)

Horário: a partir das 20h30

Transmissão ao vivo (clique aqui para assistir)

Referências
HAN, Byung-Chul, Sociedade do cansaço. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.
HAN, Byung-Chul, Sociedade paliativa. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.
HAN, Byung-Chul, Favor fechar os olhos: em busca de um outro tempo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

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