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Dimas Künsch lança livro sobre método da compreensão

Obra sistematiza os estudos desenvolvidos ao longo dos últimos 12 anos acerca do pensamento compreensivo

Por Karine Seimoha

 

O professor e pesquisador Dimas A. Künsch, da graduação e da pós-graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), lança durante o Congresso Metodista 2020, de 19 a 21 de outubro, seu novo livro, Compreender: indagações sobre o método. A obra reúne sete textos apresentados nos últimos anos durante o Encontro Anual da Compós, a Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação do Brasil.

Compreender: indagações sobre o método quer fomentar o debate sobre o tema do pensamento compreensivo como possibilidade de método, tanto na Metodista como em outras universidades. Além disso, é importante levar o debate para além dos muros da universidade, como sublinha o autor.

Künsch ressalta ainda que o tema da compreensão tem importância não apenas para o campo das ciências, mas para a vida cotidiana das pessoas, as filosofias, as artes, as visões religiosas e os saberes e sabedorias teóricas e práticas que nos cercam.

“O pensamento compreensivo é um pensamento integrador, que abraça e põe para dialogar esses saberes e essas experiência entre si, num sentido holístico, de se ver as coisas como um todo”, afirma Künsch. “É esse o sentido original da palavra compreensão. Um pensamento compreensivo inclui, soma, e não divide e exclui”, esclarece.

 

Em vez de ficar o tempo todo trabalhando com noções como de certo e errado, bem e mal; em vez de querer sempre explicar tudo, a gente pode colocar as coisas para dialogar umas com as outras, inclusive os nossos erros e incertezas, que são partes constitutivas da vida.

Mais do que buscar respostas finais, verdades e certezas absolutas, ainda segundo Künsch, é possível valorizar o caminho da busca (que é o que método significa), compreensivamente. “O diálogo, o respeito e o apreço ao pensamento dos outros e às distintas formas de se ver o mundo e a vida podem nos levar a essa ideia, tão bonita, da democracia dos saberes e das práticas.”

Para participar do Lançamento Online, acesse o link:

https://us.bbcollab.com/guest/1b80fdac94614c00a355d8f12877f5f8

 

Indagando sobre o método

Künsch, que trabalha com esse método desde o início dos anos 2000, fundou em 2008 o grupo de pesquisa “Da Compreensão como Método” (www.dacompreensao.com.br), hoje sediado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social (Poscom) da Umesp. Outras produções do grupo de pesquisa podem ser acessadas em seu site. As duas coletâneas mais recentes, Pensar com o signo da compreensão e Agir com o signo da compreensão, foram lançadas em 2019.

Três dos textos que integram Compreender: indagações sobre o método foram redigidos em parceria com os docentes e pesquisadores José Eugenio Menezes (da Faculdade Cásper Líbero), Mateus Yuri Passos (do Poscom) e Roberto Chiachiri (do Poscom e dirigente da Cátedra Unesco-Metodista de Comunicação). O Prefácio é de Luís Mauro Sá Martino (da Faculdade Cásper Líbero).

Dimas Künsch: “Menos explicação, mais compreensão”. Foto: Thales Carraro

“Chegou o momento em que eu quero sistematizar melhor esses estudos, tendo atingido uma certa maturidade do pensamento. Não pretendo dizer que tenha encontrado respostas, no sentido de um ponto final, porque o método da compreensão não trabalha desse jeito”, argumenta Künsch.

 

 

 

“Acho, no entanto, que os que trabalhamos nessa linha alcançamos um certo lastro teórico e epistemológico nesse caminho de compreender a compreensão, e esse livro é um sinal disso”, completa.

Ainda comentando sobre a compreensão nos dias atuais, Künsch é enfático: “Estamos vivendo um momento difícil e horroroso da vida nacional, para além da pandemia. Mas não adianta ficar só falando mal do governo, dos políticos, de quem quer que seja, sem assumir a responsabilidade histórica de todos nós nesses processos”, ele diz, lembrando o exemplo da pensadora Hannah Arendt, que chamava para a compreensão do nazismo, nesse sentido mais amplo e ético, como condição para a luta incansável contra toda forma de totalitarismo.

“A nossa cultura adora criar dualismo, do tipo certo e errado, bom e mau… Ocorre que todo dualismo é ruim. A começar pelo fato de que todo pensamento dualista vê o bem do meu lado e o mal do lado do outro”, alerta Künsch. “Certo que não devemos compactuar com o mal, com a injustiça. Mas também não com a ideia de que o que é errado está sempre do lado de lá da linha imaginária que divide supostamente os bons dos maus”, complementa.

E finaliza: “Ora, este é o mundo em que habitamos, e não há outro. O nosso mundo. A nossa casa. Com suas coisas lindas, mas também com suas nuvens gigantescas, que produzem enormes sombras sobre as nossas vidas pessoais e na sociedade, na política, na economia…”

 

Compreender: indagações sobre o método

Dimas A. Künsch

São Bernardo do Campo, SP: Editora Metodista, 2020, 194 p.

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