Livro: Para compreender o método da compreensão

Dimas A. Künsch, Everton Dias, Mateus Yuri Passos, Paulo Emílio Fernandes, Pedro Torres Debs Brito (Orgs.)

São Paulo: Editora Uni, 2017, 342 p.

 

Em mais esta obra do projeto de pesquisa “A compreensão como método”, assumimos novamente o empenho de fazer o que pudermos Para compreender o método da compreensão. Mais que um ponto de chegada, esse é um caminho. E a palavra caminho tem tudo a ver com “método”: em grego, meta + hodós, o caminho escolhido para se ir a algum lugar no campo vasto e fértil dos saberes humanos. Um método de procurar um método!

Alegria é fundamental. E nós, do projeto “A compreensão como método”, somos em geral alegres e gostamos do que fazemos. Nossa alegria talvez tenha um bocado a ver com uma certa irreverência com que nos expressamos sobre o método da compreensão.

Os mais sérios querem logo saber. Irritados, se perguntam, com um tom de voz que deixa às vezes transparecer uma crítica que se pretende avassaladora: “O que é, mesmo, o método da compreensão?”. Acostumados com os conceitos e as definições, e com a pretensa assepsia do pensamento lógico universalizante, perguntam pelo ser: o que é?

E aí o papo sobre o assunto não rende muito, no universo de nossas buscas. Em vez de “o que é”, gostamos mais de falar do “como se busca”, “como se tenta aplicar”, “como se mostra”. À metafísica, respondemos com a poiesis. Mostramos nossos livros, nossos trabalhos em eventos científicos, nossas dissertações de Mestrado… Até lembramos o poeta Antonio Machado, quando ele diz que não há caminho, que o caminho se faz ao andar.

Por isso falamos tanto em “compreender a compreensão”, o que acaba sendo o título de mais esta obra do projeto: Para compreender o método da compreensão. Não temos vergonha alguma de dizer: “Não sabemos, estamos buscando”– ou melhor: “Não sabemos, estamos ensaiando”. Ou de afirmar que pressentimos algo importante na proposta de sair do âmbito estrito do conhecimento científico para as mundivisões multifacetadas – como diz o autor do Prefácio, Raúl Hernando Osorio Vargas, citando Cremilda Medina.

Ao insistir sem falsa modéstia que queremos compreender a compreensão, mais do que explicar, estamos anunciando um objetivo dos mais importantes: há um método embutido na proposta de compreender o método da compreensão. Há um caminho em busca de um caminho.

Deus nos livre e guarde de cair no reducionismo e na semgraceza do conceito absoluto, fechado, violento! Preferimos andar pelos caminhos da busca do método fazendo várias paradas pelo mundo, encantado ou não, dos objetos de pesquisa, das questões que nos incomodam, dos saberes diferentes que nos situam de alguma forma no mundo e nos orientam. Tomamos um café aqui, lá adiante comemos um ovo frito com feijão e arroz, vez ou outra tomamos uma pinga com um torresmo picado em pedaços.

Tudo isso tem a ver com a ideia, cara ao método da compreensão, de que se deve preferir o talvez ao portanto; as vírgulas, as reticências e as próprias interrogações aos pontos finais; a noção aos conceitos; a compreensão à explicação.

Os organizadores

 

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