Para aplicar/dialogar com o método da compreensão

O seu texto, artigo, ensaio, dissertação ou tese aplica ou dialoga com o método da compreensão,
entre outras muitas maneiras, se:

  • Apresenta uma visão compreensiva, includente, plural de conhecimento, que
    contempla/reconhece/valoriza outras formas de conhecimento além da ciência, como o
    mito, a religião, a arte, a filosofia, o saber comum etc.;
  •  Tece a crítica do positivismo/cientificismo e reconhece o conhecimento/método científico
    como uma forma de conhecimento entre outras, com as quais pode/deve/precisa dialogar;
  • Propõe um diálogo compreensivo, includente, democrático com a incerteza e o erro e
    reconhece o valor cognitivo e prático do princípio da complementaridade dos opostos;
  • Prefere o signo da compreensão ao signo da explicação. Posicionando-se contra a ideia
    iluminista de tudo querer explicar, definir e conceituar, o método da compreensão se dá
    bem com o propósito de tecer um diálogo entre diferentes teorias, autores, pensamentos,
    formas de conhecimento;
  • Opera com metáforas e delas se nutre, como, por exemplo, mais vírgulas e menos pontos
    finais, mais pontes e menos muros, mais porteiras e menos cercas, múltiplas janelas,
    menos caixotes e gavetas no campo do conhecimento e das práticas que nele se baseiam;
  • Trabalha com a ideia de multimetodologias, multiperspectivismo, diálogo entre
    quantitativo e qualitativo, argumentos de tipo lógico em conversa com figuras de estilo e
    linguagem;
  • Privilegia o gênero do ensaio como proposta de um texto dialógico, conversacional, não
    fundado na ideia de uma verdade (única), aberto a outras formas de entendimento;
  • Se entende bem com a noção de Sujeito/Sujeito, mais do que com a noção de
    Sujeito/Objeto; com a noção de Eu-Tu (Martin Buber);
  • Estabelece um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt sobre a compreensão;
  • Comunga das ideias de epistemologias do Sul e de ecologia dos saberes, de Boaventura
    de Sousa Santos;
  • Funda-se no respeito ao diferente, no combate a toda forma de hierarquia cultural, na
    aposta de que mais vale o entendimento gerado pela compreensão e pelo diálogo do que a
    afirmação de uma verdade que coloca o certo de um lado e o errado, do outro;
  • Entende que, para além das linguagens do consciente, há o vasto universo do
    inconsciente, dos arquétipos, dos mitos, do encontro do ser humano com o íntimo de si
    mesmo, onde as linguagens do raciocínio e da lógica perdem grande parte de seu poder
    de expressão;
  • No Jornalismo, privilegia as (grandes)narrativas, a reportagem, as múltiplas vozes
    (polifonia), os múltiplos sentidos (polissemia), os personagens com suas histórias, o
    jornalismo literário, o jornalismo de tipo interpretativo.

NOTAS SOBRE A COMPREENSÃO COMO MÉTODO

A COMPREENSÃO COMO MÉTODO