Grupo de Pesquisa

 “Da Compreensão como Método”

Líderes:

DIMAS A. KUNSCH
MATEUS YURI PASSOS

Ementa

O objetivo geral do grupo de pesquisa é investigar os sentidos teóricos, epistemológicos e práticos da “Compreensão como Método”. O foco recai sobre a dialogia entre as mais diversas práticas de conhecimento e de saber a partir de uma visão complexa, multiperspectívica e plural de conhecimento, envolvendo um campo de possibilidades que vai bem além do desafio de tecer relações entre os conhecimentos científicos com suas várias disciplinas – especialmente entre aquelas posturas teórico-metodológicas que interagem com frieza ou hostilidade. O racional e o não-racional, o consciente e o inconsciente, o disciplinar e o indisciplinar se fazem parceiros de uma conversa que não hierarquiza nem despreza formas de entendimento do mundo e da vida que se expressam em narrativas de natureza científica, filosófica, artística, mítica ou religiosa, em experiências cotidianas, em saberes não nomeados pela cultura eminentemente científico-filosófica legitimada pela força de conceitos, definições, enunciados universais. A crítica ao positivismo, que abre espaço para o diálogo entre distintos saberes, centra-se menos na ideia de verdade e certeza que na de compreensão que emerge da conversa, sem garantia de sucesso mas fundada numa aposta, entre as distintas narrativas. E abre espaço, de forma particularmente importante, para as virtualidades do saber comunicacional na tessitura dessa rede muito ampla de negociação de sentidos, cujos resultados esperados no mundo da vida são o combate a toda forma de violência e o cultivo de práticas democráticas, da cidadania, da justiça e da paz.
Palavras-chave: Comunicação. Compreensão. Epistemologia. Compreensão como método.

 


LINHAS DE PESQUISA E BIBLIOGRAFIAS

LINHA 1: FUNDAMENTOS TEÓRICOS E EPISTEMOLÓGICOS
Responsável: Dimas  A. Künsch

Ementa: A linha “Fundamentos teóricos e epistemológicos” da compreensão como método investiga um conjunto sempre aberto de noções, linguagens, gêneros de expressão do pensamento, princípios e metodologias aptos a configurar um campo de estudos e de práticas de natureza compreensiva, dialógica, democrática, inclusiva.

Palavras-chave: Epistemologia do conhecimento. Metodologias. Diálogo. Democracia cognitiva. A forma do ensaio.

Bibliografia básica:

  1. ADORNO, Theodor. O ensaio como forma. In: COHN, Gabriel (Org.). Theodor W. Adorno. São Paulo: Ática, 1986, p. 167-187.
  2. ARENDT, Hannah. Compreender: formação, exílio e totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras; Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.
  3. ARENDT, Hannah. A condição humana. 11a. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
  4. BOHM, D. Do diálogo. São Paulo: Cultrix, 2009.
  5. BUBER, M. Eu e tu. São Paulo: Centauro, 1990.
  6. CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces. 3. ed. São Paulo: Pensamento, 1993.
  7. CASSIRER, E. Ensaio sobre o homem. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
  8. FEYERABEND, Paul. Contra o método. São Paulo: Editora Unesp, 2011.
  9. GADAMER, H.G. Verdade e método: traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.
  10. JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2001.
  11. KÜNSCH, D. Teoria compreensiva da comunicação. In. KUNSCH, D.; BARROS, L. (Orgs.). Comunicação: saber, arte ou ciência? São Paulo: Plêiade, 2007
  12. KÜNSCH, Dimas A.; AZEVEDO, Guilherme; BRITO, Pedro Debs; MANSI, Viviane (Orgs.). Comunicação, diálogo e compreensão. São Paulo: Plêiade, 2014.  
  13. KÜNSCH, Dimas A.; DIAS, Everton; PASSOS, Mateus Yuri; BRITO, Pedro Debs (Orgs.). Comunicação e estudos e práticas de compreensão.São Paulo: UNI, 2016.  
  14. KÜNSCH, Dimas A.; DIAS, Everton; PASSOS, Mateus Yuri; FERNANDES, Paulo Emílio; BRITO, Pedro Torres Debs (Orgs.). Para compreender o método da compreensão.São Paulo: UNI, 2017.  
  15. KÜNSCH, Dimas A.; DIAS, Everton; PASSOS, Mateus Yuri; FERNANDES, Paulo Emílio; BRITO, Pedro Torres Debs (Orgs.). Produção de conhecimento e compreensão. São Paulo: UNI, 2017.
  16. LANGER, S. K. Filosofia em nova chave. São Paulo: Perspectiva, 2007.
  17. LANGER, S. K. Sentimento e forma. São Paulo: Perspectiva, 2004.
  18. LATOUR, Jacques. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo: Editora Unesp, 2000.
  19. LEVINAS, E. Totalidade e infinito. Lisboa: Ed. 70, 2014.
  20. MAFFESOLI, Michel. O conhecimento comum: introdução à sociologia compreensiva. Porto Alegre: Sulina, 2007.
  21. MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: Unesco, 2011.
  22. MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. 5. ed. Porto Alegre: Sulina, 2015.
  23. RICOEUR, Paul. O si mesmo como outro. São Paulo: Martins Fontes, 2014.
  24. SANTOS, Boaventura de Sousa. Introdução a uma ciência pós-moderna. 4. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1989.  
  25. SCHLEIERMACHER, F. Hermenêutica: arte e técnica da interpretação. 5. ed. Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2006.

LINHA 2: NARRATIVAS E ENUNCIAÇÃO
Responsável: Mateus Yuri Passos

A linha “Narrativas e enunciação” investiga as diferentes práticas narrativas de ficção ou não-ficção, buscando identificar estratégias comuns ou singulares de enunciação, de construção de significados, de mobilização de discursos. Têm lugar privilegiado as pesquisas sobre práticas híbridas, cuja dificuldade aparente de análise e classificação nos desafia e instiga.

Palavras-chave: Narrativas. Linguagem. Discurso. Jornalismo. Quadrinhos. Narrativas híbridas.

Bibliografia básica:

  1. BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. São Paulo: Editora 34, 2016.
  2. BAKHTIN, Mikhail. Notas sobre literatura, cultura e ciências humanas. São Paulo: Editora 34, 2017.
  3. BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.
  4. BENJAMIN, Walter. O anjo da História. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.
  5. BENJAMIN, Walter. Estética e sociologia da arte.  Belo Horizonte: Autêntica, 2017.
  6. CANCLINI, Nestor Garcia. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. São Paulo: EDUSP, 2015.
  7. FISH, Stanley. Is there a text in this class? The authority of interpretive communities. Cambridge: Harvard University Press, 1980.
  8. GAGNEBIN, Jeanne-Marie. Lembrar escrever esquecer. São Paulo: Editora 34, 2006.
  9. HARTSOCK, John C. Literary journalism and the aesthetics of experience. Amherst: University of Massachussetts Press, 2015.
  10. HERRSCHER, Roberto. Periodismo narrativo. Barcelona: Publicacions UB, 2012.
  11. MORETTI, Franco (Org.). O romance I: a cultura do romance. São Paulo: CosacNaify, 2009.
  12. OSORIO VARGAS, Raul Hernando. El reportaje como metodología del periodismo: una polifonía de saberes. Medellín: Editorial Universidad de Antioquia, 2017.
  13. RICHARDS, I. A. Practical criticism: a study of literary judgement. London: Routledge, 2017.
  14. SIMS, Norman (org.). Literary Journalism in the Twentieth Century. Oxford: Oxford University Press, 1990.
  15. SOSTER, Demétrio de Azeredo; PICCININ, Fabiana Quatrin. (Orgs.). Narrativas midiáticas contemporâneas: perspectivas epistemológicas. Santa Cruz do Sul: Catarse, 2017.
  16. SPRADLEY, James P.; RYNKIEWICH, Michael A. (Orgs.) The Nacirema: readings on american culture. New York: Little, Brown & Company, 1975.
  17. SUTCLIFFE, Tom. Believing in Opera. London: Faber and Faber, 1996
  18. TRAQUINA, Nelson (Org.). Jornalismo: Questões, Teorias e “Estórias”. Florianópolis: Insular, 2016,
  19. WOLK, Douglas. Reading Comics. Cambridge: Da Capo Press, 2007.
  20. VOLÓCHINOV, Valentin. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Editora 34, 2017.