CONVERSANDO A GENTE SE ENTENDE

Docente responsável

Prof. Dr. Dimas A. Künsch

Instituição

Faculdade Cásper Líbero

Programa de Pós-Graduação em Comunicação

Descrição

Vinculado ao grupo de pesquisa Comunicação, Diálogo e Compreensão do CNPq e sediado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero, este projeto de pesquisa procura explorar as dimensões de uma epistemologia compreensiva da comunicação em uma situação de resolução de conflitos, focalizando, principalmente, as experiências da justiça restaurativa aplicada como estratégia de diálogo em situações de bullying. Com o passar do tempo, e como resultado das investigações feitas e dos debates entre os participantes, o objeto foi se ampliando, de forma a não se limitar ao tema do bullying, para abranger outras tantas situações de conflito nos ambientes escolares, com suas diferentes formas possíveis de mediação. Esse cenário de conflito parece ter um alto potencial para a averiguação das premissas dos sujeitos em uma situação de comunicação compreensiva (Stein, 2008; Martino, 2007; Künsch, 2008). Os resultados do projeto, também numa ampliação do cronograma original, são esperados para 2014.

Objetivos

Identificar o espaço da comunicação como estratégia da justiça restaurativa e de outras formas de mediação de conflitos no ambiente escolar, com acento na temática do bullying.

Verificar os pressupostos epistemológicos da construção das narrativas de mediação de conflitos na resolução de situações de bullying e de outros conflitos.

Metodologia

O método se estrutura em torno da análise das narrativas a partir de uma perspectiva compreensiva. Para tanto, serão selecionadas algumas das várias experiências-piloto realizadas na cidade de São Paulo, levando em conta os procedimentos adotados, o vínculo com os procedimentos de justiça restaurativa e as possiblidades de investigação das narrativas. Como o número de escolas que adota esse tipo de procedimento ainda é pequeno, trata-se de efetuar uma seleção com poucas variáveis.

É o caso de (a) realizar uma pesquisa de campo exploratória com a presença dos pesquisadores no momento dos chamados “círculos restaurativos”, instante em que as partes se colocam frente a frente para buscar essa resolução; (b) pesquisa documental das narrativas já feitas e dos procedimentos comunicacionais envolvidos; (c) entrevistas com os envolvidos.

Esse material empírico será examinado a partir dos referenciais teóricos assumidos pelo Grupo de Pesquisa ao longo de 2009/2011, agregado ao resultado de experiências realizadas fora do âmbito da pesquisa de campo (Dantas, 2009).

Referencial teórico

O tema da compreensão parece ser uma noção incorporada tardiamente nas reflexões sobre Comunicação (Künsch, 2007). E, no entanto, seria possível traçar uma genealogia da ideia ligada ao conceito de “comunicar” na hermenêutica. E, nessa linha, haveria toda uma escola de autores, de Schleiermacher a Ricoeur e Gadamer, ligados à compreensão do que é objetivado no discurso do Outro – a compreensão do sentido dado, em diferentes contextos, por Weber (2001) e Heidegger (1996). Compreender, nessa perspectiva, significa uma atitude comunicativa em relação ao outro (Martino, 2007; Künsch, 2008; Wolton, 2009; Habermas, 2008).

No âmbito da justiça restaurativa, o elemento comunicacional também é indicado por Scuro Neto (2004), enquanto Renato Pinto (2004) chama a Justiça Restaurativa de “paradigma do encontro”. É nesses parâmetros que este projeto se inclui, buscando tornar a comunicação compreensiva um elemento para interferir em situações reais.

Bibliografia básica

BUBER, M. Eu e tu. São Paulo: Centauro, 1990.

DANTAS, J.K. Bullying e justiça restaurativa. Papo de mãe, novembro de 2009. Disponível em: <www.papodemae.com.br/2009/11/bullying-e-justica-restaurativa.html>. Acessado em: 18 dez.2009.

GOFFMAN, E. Stigma: notes on the management of the spoiled identity. Londres: Penguin, 1990.

HABERMAS, J. The theory of communicative action. Londres: Beacon Press, 2008.

HEIDEGGER, M. Being and time. Londres: Suny, 1996.

JAMES, W. The psychology of mind. Londres: Brittanica Great Books, 1980.

JESUS, D. Conceito de justiça restaurativa. Jus Navigandi, agosto de 2005. Disponível em: <jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7359>. Acessado em: 18 dez. 2009.

KÜNSCH, D. Teoria compreensiva da comunicação. In. KUNSCH, D.; BARROS, L. (Orgs.). Comunicação: saber, arte ou ciência? São Paulo: Plêiade, 2007.

KÜNSCH, D. A. e MARTINO, L. M. S. (Orgs.). Comunicação, jornalismo e compreensão. São Paulo: Plêiade, 2010.

KÜNSCH, D. A. Comunicação e pensamento compreensivo: um breve balanço. In: KÜNSCH, D e MARTINO, L. M. S. (Orgs.). Comunicação, jornalismo e compreensão. São Paulo: Plêiade, 2010, p. 13-47.

MARTINO, L. M. S. Estética da comunicação. Petrópolis: Vozes, 2007.

PEREIRA, S. Bullying e suas implicações no ambiente escolar. São Paulo: Paulus, 2009.

PINTO, R. Justiça restaurativa: o paradigma do encontro. Ibjr, agosto de 2004. Disponível em: <www.ibjr.justicarestaurativa.nom.br/pdfs/just_resta_paradigmaencontro.pdf>.

Acessado em: 18 dez. 2009.

SANTOS, B. S. Introdução a uma ciência pós-moderna. 4. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1989.

SCURO NETO, P. Por uma justiça restaurativa “real e possível”. Trabalho apresentado no Seminário Internacional “Justiça restaurativa, um caminho para os direitos humanos: Instituto de Acesso à Justiça (Brasil) / Justice (Inglaterra)”. Porto Alegre, 29 e 30 de outubro de 2004.

STEIN, E. Compreensão e finitude. Ijuí: Editora da Universidade Federal de Ijuí, 2002.

WEBER, M. Metodologia das ciências sociais. Campinas: Unicamp, 2001.

WOLTON, D. E. É preciso salvar a comunicação. São Paulo: Paulus, 2009.

 

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