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Grupo de Pesquisa “Da compreensão como método” discute nova crítica literária e narrativas futurísticas

Foto: Igor Oliveira Neves

Por Igor Oliveira Neves (texto e foto)

Cátedra Unesco/Metodista de Comunicação

“Exu nas escolas!”, gritava Elza Soares no sábado 23 de março, durante o encontro mensal do grupo de pesquisa Da compreensão como Método. A música faz parte do último álbum da cantora, “Deus é mulher”, e foi uma das canções analisadas pela pesquisadora Lisandra Pingo em dissertação defendida na Educação da USP, Uma análise das múltiplas faces de Exu por meio de canções brasileiras, em que ela discute a desmistificação do Orixá Exu como um ser malvado e destaca as contribuições de seu estudo para a compreensão da sociedade e da cultura brasileiras. O Prof. Dimas Künsch, dirigente do grupo de pesquisa junto com o Prof. Mateus Yuri Passos, iniciou a reunião com a mensagem de que o saber espiritual é um dos conhecimentos indispensáveis para a compreensão da vida.

Dois integrantes do grupo apresentaram seus trabalhos de mestrado. Arthur Marchetto, orientando do Prof. Mateus Yuri Passos, falou sobre a pesquisa Booktubers: uma nova face da crítica literária jornalística. O pesquisador construiu um panorama histórico da função do crítico literário como definidor daquilo que se encaixa nos padrões do “bom gosto”, da legitimação de grupos responsáveis pela produção intelectual e do processo histórico que levou à crise da crítica com a perda de relevância dos cadernos literários.

A partir das novas configurações dos espaços de expressão, com foco principal no YouTube, Marchetto analisou o trabalho realizado por esses críticos, que entendem não ser mais necessário ter uma formação tradicional em Letras ou Jornalismo, mostrando que o papel de legislador, daquele que define o que é bom ou ruim, ocupa agora vários espaços que vão além dos meios tradicionais.

Quando o crítico como legislador é soterrado, explicou Marchetto, surge a criação do crítico enquanto comunidade. “O booktuber configura uma comunidade ao seu redor, as pessoas começam a dialogar com os vídeos, principalmente em outras redes sociais, mas não existe um diálogo do público com o público. Quem norteia a configuração que a comunidade cria em torno de um assunto é o própriobooktuber”.

Pamella D’Ornellas, orientanda do Prof. Dimas Künsch, cuja dissertação foi defendida e aprovada em 26 de fevereiro, apresentou a pesquisa Futuro do presente: narrativas ficcionais acerca do futuro e projeções teóricas relativas a seres artificiais. O estudo discute se filmes de ficção científica que se propuseram a imaginar o futuro tiveram impacto nas pesquisas científicas. Além da aproximação teórica da história do gênero ficção científica, da robótica e inteligência artificial, ela também realizou um levantamento de cerca de 100 filmes que tinham no enredo personagens robôs ou androides e a inteligência artificial.

Mesmo não conseguindo provar a influência das narrativas de ficção na pesquisa científica, a pesquisadora encontrou pontos de convergência entre a realidade e a ficção. “Minha pergunta de pesquisa não pôde ser totalmente respondida porque eu não posso afirmar que a ficção científica de fato influenciou a existência desses robôs na realidade”, comentou Pamella. “Mas consegui identificar uma interligação. Cheguei à conclusão de que realidade e ficção estão diretamente ligadas e que a ficção científica é parte dessa realidade”.

Após as apresentações, Dimas Künsch anunciou a realização de um encontro internacional no mês de novembro, na Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo do Campo, entre os dias 11 e 14. Trata-se do IV Seminário Brasil-Colômbia de Estudos e Práticas de Compreensão – Colóquio Internacional Literatura, Jornalismo e Comunicação: Pensamento Compreensivo Latino-americano. Estão sendo formadas as equipes de trabalho. Em maio sai a convocação e a chamada de trabalhos para as distintas mesas temáticas que irão compor o evento.

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