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A Colômbia e a Compreensão vão até Belém do Pará 

Foto: SECOM/SECULT PA
O papel da compreensão e do jornalismo diante dos acordos de paz assinados em 2016 na Colômbia

Por Carol Klautau – Mestranda em Comunicação (Cásper Líbero)

A XXII Feira Pan-Amazônica do Livro – evento que reúne, além de literatura, música, cinema, fotografia e teatro –, em Belém do Pará, teve a Colômbia como país homenageado em sua edição de 2018. Durante dez dias, o maior evento de fomento à leitura do Pará, e um dos maiores do segmento no Brasil, contou com a presença de escritores colombianos e escritoras colombianas, que lançaram seus livros e conversaram com o público sobre a literatura e a arte da Colômbia.

Um dos convidados foi o Prof. Raúl Hernando Osório Vargas, coordenador colombiano do projeto de pesquisa “Fundamentos Teóricos e Epistemológicos da Compreensão como Método” na Universidad de Antioquia, em Medellín. Além do lançamento de seu livro mais recente El reportaje como metodología del periodismo: una polifonía de saberes (2017), o jornalista também participou do Seminário “Colômbia renasce: notícias de guerra e paz”.

Na perspectiva de Raúl Vargas, a Compreensão tem um papel importante dentro das narrativas jornalísticas que abordam o tema da paz na Colômbia: “A compreensão pode ser o caminho que fundamenta a harmonia, incorporando os diferentes saberes humanos como formas para a construção da paz, a superação das injustiças sociais e a violência. A compreensão é ação e reflexão: uma sabedoria conhecedora e experiente. Chama-se assim o Humano Ser enquanto competente e hábil – competência no sentido de pertença. O Ser alinhado à Compreensão é claramente um ato que carrega importantes consequências sociais. Nós, os jornalistas, modernos visionários, temos o dever de ajudar a construir a paz e a democracia”.

Como jornalista e professor de jornalismo, Vargas reflete também sobre o papel da imprensa diante dos acordos de paz assinados na Colômbia em 2016: “Na Colômbia assinou-se a paz, mas a incerteza diante do futuro nos habita. Quantos tratados de paz já se assinaram no mundo? E quão pouco tem se consolidado a verdadeira paz na vida das nações? A overdose de informação trabalha as mentes dos cidadãos e aprofunda as feridas. Com a chamada pós-verdade, o jornalismo deixou de fazer jornalismo para transformar-se em uma fábrica de mentiras – por isso, percebemos a prática jornalística submissa e influenciada pelas exigências do mercado”.

Numa perspectiva compreensiva, o jornalismo “deve recuperar a extraviada credibilidade e, exercer o contrapoder, e os intelectuais-jornalistas devem refletir sobre a comunidade que os abraça, religando e regenerando sua ‘autoética’ por meio de uma narrativa de princípios, valores e fins compartilhados. Ética que deve incluir todos os seres, em sua capacidade de acolher a todos, independentemente das suas crenças”. O caminho para isso, Raúl Vargas aconselha, é o do Jornalismo Transcultural por meio da narrativa da reportagem.

Em 2017, o tema da assinatura dos acordos de paz na Colômbia e do papel do jornalismo nesse processo também foi abordado por Rául Vargas, durante o III Seminário Brasil-Colômbia de Estudos e Práticas de Compreensão, na Mesa Redonda “Da Guerrilha para a política: os acordos de paz na Colômbia”.

 

Foto: SECOM/SECULT PA

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